Pesquisar este blog

domingo, 7 de agosto de 2011

INFAMOUS 2: ANÁLISE


O primeiro inFamous foi a visão muito própria da Sucker Punch sobre o mundo dos super-heróis e a sua eterna dualidade – usar o poder para o bem do comum mortal ou para proveito próprio? Apesar de algumas limitações, o sucesso foi mais do que merecido e Cole MacGrath foi acarinhado pelos jogadores, de tal forma que uma mudança no seu visual durante o desenvolvimento desta sequela – com um penteado mais na moda, qual irmão mais novo de Nathan Drake, estrela de Uncharted – levou a uma insurreição dos fãs, que exigiram o modelo original de volta. E, neste caso, a união fez mesmo a força.

Com inFamous 2, a Sucker Punch tem apenas uma pretensão – a de criar um jogo maior e melhor do que o título original. Apesar do relativismo da ideia, esta não é assim tão descabida, com muito bom estúdio a não conseguir reproduzir as mecânicas originais ou acrescentar algo de relevante (olá Devil May Cry II), acabando por desiludir os fãs do primeiro jogo. Sem mais rodeios, inFamous 2 sai com nota eletrizante desta missão.

Karma lá com essa eletricidade toda

inFamous 2 começa como muitos jogos acabam, com um combate titânico entre Cole e a Besta. O resultado não é o melhor, a Empire City do primeiro jogo foi completamente devastada e a Besta arrasa tudo pelo seu caminho. Cole acaba por se dirigir para New Marais, a nova cidade duas vezes maior que a de inFamous primeiro do nome, tendo pouco tempo para reunir os núcleos necessários para travar o colossal demónio de lava e eletricidade.

A primeira hora de inFamous 2 é dominada por missões lineares e contra-natura, isto até chegarmos a New Marais onde todo um outro mundo se abre perante os nossos olhos. Cole já não é o herói poderoso que conhecemos, tem agora de construir os seus poderes numa cidade dominada pela milícia de Bertrand, um ser anti-aberrações da natureza, com evidentes traços nazis. Com isto tudo, como por magia, os novos jogadores são introduzidos às mecânicas de inFamous e os seguidores de primeira hora têm um pretexto aceitável para recomeçarem a “construir” Cole.

Mas Cole não parte completamente do zero. Com ou sem poderes de relevo, este é um rapaz fora do comum predestinado a ser herói, tal a habilidade com que percorre as ruas e prédios de New Marais. Exímio em parkour, ele trepa com extrema facilidade o mais alto dos edifícios e desliza nos cabos de eletricidade, qual surfista elétrico. O seu controlo é nervoso, sendo uma personagem mais ágil e ainda bem que assim é, já que o ambiente também ganhou em diversidade. Entre a metrópole habitual, áreas inundadas (Cole não se dá bem com a água, como qualquer um com leves conhecimentos científicos saberá) e terrenos com maior densidade de vegetação, a oferta é interessante e consistente com o que se espera de um mundo de jogo aberto. Pena é que o excessivo uso de complexos industriais mais lá para a frente retire um pouco de sabor a uma New Marais bem desenhada.

A arma inicial de Cole é um amplificador criado por Zeke, o seu amigo do primeiro inFamous e aqui ainda mais evidente clone de Elvis Presley. Este amplificador é usado ao longo de todo o jogo como arma de combate aproximado, com animações vistosas mas nenhuma profundidade de jogabilidade para além de movimentos finalizadores que vão ficando mais imponentes consoante os desbloqueamos. Mas Cole não seria nada se apenas dispusesse desta arma, pelo que o regular desbloquear de poderes irá transformá-lo numa máquina de guerra – para o melhor e para o pior.

Sem passar exaustivamente pela lista de poderes – um dos prazeres do jogo é descobrir o que poderemos usar –, Cole tem o básico ataque de raios e, entre outros, a impressionante capacidade de levitar carros e demais objetos para os impulsionar contra os inimigos, resultando em enormes explosões. O karma entra em jogo não só na forma como desempenhamos as missões, podendo tornar-nos mais heróicos ou demoníacos conforme for o nosso cuidado ou desprezo pela vida dos inocentes que habitam New Marais, mas também por certas escolhas com verdadeiras consequências. Duas personagens totalmente opostas – a ponderada Kuo e a intempestiva Nix – vão ter grande importância neste aspeto dos poderes mas não só, apresentando frequentemente visões opostas sobre a forma de cumprir uma missão. Embora a maior parte das missões nos deixe definir a abordagem, algumas delas obrigam a uma decisão entre a vertente do bem e do mal, acabando por bloquear a que foi excluída. Isto incentiva a jogar novamente inFamous 2 depois de terminado, para descobrir não só novos poderes como diferentes rumos da história. Só é pena que a narrativa seja leve e maioritariamente direta ao assunto, não explorando mais esta ambiguidade entre personagens para além da ocasional sugestão de miúdas à bulha com puxões de cabelos pelo meio.

inFamous 2 oferece muito para fazer, desde as missões essenciais às secundárias, necessárias para ganhar experiência mas também para desbloquear poderes ou alterar o alinhamento de Cole, com mudanças visuais a condizer. Por exemplo, assustar pacatos artistas de rua (músicos, homem-estátua…) ou roubar fragmentos de explosão irá reforçar o nosso lado negro, enquanto desativar bombas ou curar civis vai mostrar a nossa bondade. New Marais conta ainda com missões opcionais ideais para prolongar a longevidade e agradar aos jogadores mais perfecionistas, como as três dezenas de pombos que andam com mensagens áudio sobre alguns protagonistas e história. Ou os fragmentos de explosão, mais de 300, que quase sempre nos impelem a fazer um pequeno desvio para apanhar “apenas mais um” e assim aumentar a nossa capacidade de absorção de energia. Não é obrigatório, mas faz um grande jeito!

Uma boa adição é o CCU (UCG no original), ou seja, conteúdo criado por utilizadores. inFamous 2 inclui um editor de missões com bastante potencial para quem esteja disposto a perder algum tempo para o dominar. Mesmo quem não o queira fazer sairá sempre a ganhar, já que as missões assim criadas já eram muitas durante a nossa campanha, aparecendo a verde no mapa de New Marais e aumentando de forma consequente a longevidade de inFamous 2.


Nenhum comentário:

Postar um comentário